segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Motor do pujante crescimento chinês está desacelerando: Zoellick

(Extraído de: AFP - 02/09/2011)


WASHINGTON — A China perde, pouco a pouco, as vantagens que permitiram ao gigante asiático registrar um crescimento econômico nunca visto na história durante os últimos vinte anos, afirmou esta quinta-feira o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, em um artigo de opinião.

"Os motores da tremenda emergência da China estão se esgotando", escreveu Zoellick em um artigo que será publicado na edição de sexta-feira do jornal Financial Times e que foi transmitido pelo Bird à imprensa.

Zoellick citou os limites que a indústria chinesa enfrentará e que já são visíveis em quase todos os setores: a redução de ganhos de produtividade, as escassas perspectivas de produção com pouco valor agregado e o envelhecimento da população.

Além disso, destacou "outros desafios, como a deterioração do meio ambiente, o aumento das desigualdades, o uso intensivo de energia e as emissões de carbono, bem como um setor de serviços subdesenvolvido e uma dependência muito importante dos mercados estrangeiros".

Zoellick desejou que a China se una ao grupo dos países mais ricos do mundo através da quadruplicação, em 20 anos, da riqueza de seus habitantes, ao invés de ficar estancado entre "os países de renda média".

"Se daqui a 2030 a China alcançar uma renda per capita de 16.000 dólares, o efeito sobre a economia mundial equivaleria a agregar 15 Coreias do Sul atuais", calculou.

"Uma das questões essenciais é saber como a China pode conseguir sua transição para uma economia de mercado", explicou o presidente da instituição de fomento ao desenvolvimento.

"O programa global deve incluir a redefinição do papel do Estado e do estado de direito, a expansão do setor privado, a promoção da competitividade e o aprofundamento das reformas nos mercados agrícola, trabalhista e financeiro", afirmou.

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Comentário:

De acordo com Ignacy Sachs, em seu “Desenvolvimento: includente, sustentável, sustentado”, o desenvolvimento de um país não se limita ao crescimento econômico e à geração de riqueza material. Sachs defende que o objetivo maior é diminuir as desigualdades e promover a sustentabilidade, com foco em cinco pilares: social, ambiental, territorial, econômico e político.

No caso da China, percebemos que o expressivo crescimento econômico que vem ocorrendo nos últimos anos não trouxe grandes avanços no âmbito social e tampouco no ambiental. O foco governamental tem sido no curto prazo, ignorando-se questões importantes como: o aumento desordenado da população, a exploração da força de trabalho, o crescimento das desigualdades sociais e consequentemente das pessoas em péssimas condições de vida. Além disso, cabe lembrar que a exploração extensiva dos recursos naturais e as altas emissões de gases tóxicos pelas indústrias, acompanhadas pela taxa de poluição dos rios chineses acima de 70% (fonte: Folha – China tenta combater e maquiar problemas ambientais do país) e pelo intenso desmatamento que acompanha a urbanização; vêm causando danos ambientais irreversíveis.

Portanto, para que a China atinja um modelo sustentável de desenvolvimento, faz-se essencial a mudança de foco do mercado externo (modelo voltado às exportações) para o interno (modelo voltado ao bem-estar social), e do curto para o longo prazo, avaliando os impactos das ações atuais no contexto das gerações futuras.

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